Citarei novamente o This2That, porque estava justamente me preparando para escrever sobre o que tem me desanimado na moda e me deparei com este post. Elle comenta:
“Sempre que alguma coisa, ou uma idéia, ou um serviço viram moda, daquele tipo massificada mesmo, me dá uma irritação tremenda. Minha primeira reação é rejeitar, apesar de, em muitos casos, eu até nutrir certo afeto por tal coisa, ou idéia ou serviço. Logo em seguida, me vejo obssecada por transformar aquilo que se tornou ordinário em, mais uma vez, interessante.”
E eu ando mais ou menos assim em relação ao mundo fashion, por assim dizer, principalmente do jeito como está sendo tratado por algumas pessoas e redes sociais aqui no Brasil. A moda está na moda e está massificada, de um jeito que está me incomodando. Tenho que confessar: era muito mais legal quando era mais difícil falar sobre o assunto e quando todos torciam o nariz quando você dizia que ia estudar Moda e fazer isso da sua vida. Eu me sentia mais inteligente e mais à frente do meu tempo. haha É complicado dizer isso, porque é muito bom ver cada vez mais o mercado brasileiro crescendo e, consequentemente, ver mais oportunidades de emprego pras pessoas… Só que parece que o jeitinho brasileiro ainda domina as atitudes e todo mundo quer dar a volta por cima do hard work e do estudo pra chegar num certo topo.
1 – a importância para fatos inúteis
Estamos falando de MODA. Então, eu quero ler e conversar sobre: tendências (macro, micro e modismos), revistas interessantes, editoriais maravilhosos, cartelas de cor, tecidos, exposições, viagens, estilistas, shapes e modelagens, desfiles, make e penteados. Eu não quero ler sobre: BBB em primeira fila, aplausos quando Gisele desfila, globais, Paris Hilton, o casal do momento.
2 – a superlotação internética de blogs que falam das mesmas coisas, e a importância desnecessária que a mídia dá para eles
Não curto quando essa galera que foca em perambular pelas fashion weeks e “dar pinta”, correr atrás de brinde, dar copy paste no blog das coisas que leu, ou achar que postar sobre moda é só postar sobre looks, se leva a sério. Acho tudo isso muito válido quando se é estudante, ou quando é por pura diversão. Se não, vá procurar algo mais útil pra fazer, vai estudar, trabalhar e aprender, porque você não é jornalista e eu não aguento mais ler coisa repetida e sem conteúdo. Lá fora, pelo que vejo, não é qualquer blogueiro ou blogueira que consegue ser notado pela mídia. Vai ler o blog da Tavi G, por exemplo. A menina é f*da, inteligente, natural… (bem, já ouvi alguém se perguntar se não poderia ter algum adulto por trás, mas isso não vem ao caso no momento)
Tem público pra tudo, claro. E eu mesmo gosto de ler uma gossip de vez em quando, ou analisar looks pra me inspirar… mas até pra falar sobre futilidades, 1- tem que ser bem escrito, 2- tem que ser despretensiosamente. Não tenta dar uma de conteúdo sério ou de “blogueiras são importantes nas semanas de moda, porque informamos através de uma mídia livre” e todo esse bla bla bla, porque o que nós, blogueiras, escrevemos não é tão importante assim. É mais um entreterimento pra alguns e pra nós mesmas…
Na minha época (já posso dizer isso, que medo), quando comecei a faculdade, em 2006, estudante era estudante: não davam muita corda pra gente não. Estávamos lá pra ser pau mandado. E a gente adorava vestir a camisa da faculdade e ralar no Fashion Rio, sendo tratada como “camareira” e vestir modelo nos bastidores dos desfiles. Era maravilhoso estar ali dentro, pegando nas peças, observando, aprendendo. Acho que está tudo fácil hoje em dia. Fico pensando quem é que olha uma peça de perto num backstage, ou entrevista um estilista e realmente dá valor e entende aquilo que está vendo/ouvindo.
Não estou criticando, ou falando que é ridículo ter um blog de moda (eu tenho um, seria contraditório), ou um blog de futilidades em geral, apenas estou reclamando da importância desnecessária que é dada para esses sites. Li em algum lugar, se não me engano, no Trendy Twins, que algumas assessorias dividiam em espécies de “castas” a galera dos blogs. Ora, se um é infinitamente mais bem feito, gerenciado e escrito do que outro, qual o problema em ter uma divisão? É só fazer com respeito e discretamente.
Confesso que esse também é um desabafo pessoal. A verdade é que é um saco ter que ficar se importando com essa coisa de ego e de aparecer. Não consigo ser assim e talvez seja por isso que sempre chuto o balde e posto mais pra mim do que para os outros e, consequentemente, não sou notada. Não sei ser simpática só por ser, fazer social quando acho o lugar chato, esse tipo de coisa. O máximo que faço é adicionar todos os blogs que conheço na minha lista de links. Mesmo que 80% deles não tenham essa recíproca comigo. E por que isso, né? Quem é você, quem sou eu pra ficar nessa, sabe…
Tenho blog desde os 13 anos, desde quando ter blog era coisa de nerd. Hoje, pessoas que nem gostam ou sabem escrever têm blogs, só pra tentar seus 15 minutos de fama online. Eu gostava de ter blog, era diferente por causa disso. Agora, tenho que reaprender a gostar de blogar.